Em 2026, gerir é integrar tecnologia, processos, pessoas, cultura e ética numa equação única de criação de valor sustentável e duradouro. Estas serão as competências nucleares para os empresários, responsáveis de negócio e empreendedores, das micro às grandes empresas.

Gestão e estratégia continuam a ser competências críticas que o líder e gestor precisa endereçar em 2026. A Inteligência Artificial (IA) não elimina a necessidade de gestão, pelo contrário, aumenta-a. Para Arun Sundararajan (2025), a verdadeira disrupção não vem de “fazer o mesmo mais depressa”, mas de repensar os processos de raiz. As organizações que apenas automatizam tarefas existentes capturam ganhos marginais, mas as que redesenham os seus modelos operacionais capturam vantagem estratégica. Isto exigirá às organizações uma nova forma de pensar sistemicamente e de forma integrada; avaliar riscos, verificabilidade e editabilidade das tarefas onde a IA é aplicada; e decidir onde a tecnologia cria valor e onde destrói confiança.

Dominar IA é alinhá-la com o negócio (não com a moda), ou seja, não significa apenas dominar os modelos, mas compreender como os alinhar com a estratégia, os processos e os dados da organização. Para Sundararajan (2025) os modelos fundacionais (GPT, Claude, Gemini, CoPilot) tornaram-se infraestruturas de base, mas o diferencial competitivo não está nos modelos, mas sim, na qualidade e estrutura dos dados; na governação, alinhamento e proteção do know-how; e na capacidade de decidir entre RAG e fine-tuning, equilibrando valor, risco e soberania. Importa lembrar que 70 a 90% do custo real da IA está na preparação e na qualidade dos dados, não na tecnologia. Assim, obter uma visão geral técnica das ferramentas de IA e explorar as funcionalidades das tecnologias de análise de dados e de machine learning aplicadas à gestão e à tomada de decisão nos negócios serão competências importantes para 2026.

Se a produtividade e a eficiência serão fortemente impulsionadas pela IA, também a criatividade, o pensamento crítico, a inovação e a criação de valor (competências únicas do ser humano) poderão ser altamente amplificadas pela IA. É neste ponto que emerge a nova era da “IA human-amplified”: não substituição, mas fusão. Hajj Flemings (2025) defende que entramos agora na era da Inteligência Amplificada, onde a tecnologia funciona como multiplicador da genialidade humana. A verdadeira vantagem competitiva estará na capacidade de expressar originalidade, contexto, cultura, ética, estética e intenção num mundo de abundância digital. O que será cada vez mais único e, por isso,

valioso, será a presença humana e o impacto real das interações, tarefas e projetos digitais que dão origem a produtos, serviços e experiências irrepetíveis.

Desenvolver o pensamento crítico será outra sugestão para 2026, sobretudo na “curadoria” dos outputs da AI, que permitirá mitigar enviesamentos na análise da informação, na fundamentação e argumentação das escolhas. O “luxo intelectual” ou “pensamento curado”, conceitos explorados por Flemings (2025), serão os grandes diferenciadores na educação, gestão e liderança, traduzindo-se em ferramentas que ajudarão a formar critérios, consciência e visão. Dessa forma, a governação da IA não será apenas uma questão legal, mas também cultural e ética, pois nem tudo o que é tecnicamente possível ou legal é desejável. A confiança na IA dependerá cada vez menos da tecnologia em si e mais da relação humana com o sistema, da transparência dos processos e do alinhamento entre os valores individuais, organizacionais e sociais.

Por fim, igualmente importante, será a liderança das pessoas e organizações em 2026, que exigirá um novo equilíbrio entre performance, eficiência, gestão de equipas e inteligência emocional. Como sublinha Flemings (2025), o modelo linear “estudar → emprego → carreira” está obsoleto. A IA está já a eliminar cargos à entrada e a polarizar o mercado de trabalho, enquanto a Europa enfrenta um acelerado envelhecimento demográfico. O alinhamento entre a procura e a oferta de talento, a requalificação de profissionais com 10, 20 ou mais anos de experiência e a “economia da longevidade” estão a redefinir o mercado de trabalho, criando desafios e oportunidades. (Up/Re)skilling, new skilling e lifelong learning deixam de ser apenas benefícios e passam a ser infraestrutura estratégica das organizações na adaptabilidade e no desenvolvimento do talento. O futuro pertence às organizações que sabem ativar a zona de brilho das suas pessoas, combinando tecnologia com identidade, cultura, formação e pertença.

Em síntese, as competências críticas para 2026 não se resumem à tecnologia. Exigem gestão com visão, liderança humana, domínio estratégico da IA, ética incorporada nos processos e cultura como ativo central das organizações. A fusão entre inteligência artificial e inteligência humana não é opcional, é inevitável. A questão que se coloca é simples e exigente: quem estará preparado para liderar esta fusão com intenção, responsabilidade e humanidade?

Tânia Sousa, Business Development Manager for Executive Education na CATÓLICA-LISBON