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Católica corta previsões do PIB de 2018 e 2019. Centeno falhará metas

Quinta, Janeiro 24, 2019 - 12:13
Publicação
Jornal de Negócios

Os economistas da Católica reviram em baixa as previsões para a economia portuguesa em 2018 e 2019, passando assim a duvidar das metas que o Governo fixou no Orçamento do Estado.

A economia vai crescer menos do que o Governo espera tanto em 2018 como em 2019. A previsão é dos economistas da Universidade Católica na análise à conjuntura económica divulgada esta quarta-feira, 23 de janeiro, que estimam um crescimento de 2,1% no ano passado e 2% este ano. 

A revisão em baixa face à estimativa de outubro (2,4%) deve-se à desaceleração da economia no terceiro trimestre e na manutenção dessa tendência no quarto trimestre. O Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Católica prevê que o PIB cresça apenas 1,8%, em termos homólogos, no de outubro a dezembro de 2018, com um crescimento em cadeia (de um trimestre para o outro) de 0,5%.

A penalizar o quarto trimestre deverão estar as exportações que "poderão ter voltado a contrair", antecipa a Católica, referindo o "ambiente negativo em torno do comércio internacional". Recorde-se que em novembro as exportações caíram 8,3% devido à greve dos estivadores que travou a venda de carros ao exterior. No entanto, a Católica prevê que o investimento acelere e que o consumo privado continue pujante.

 

Evolução do crescimento da economia em Portugal

 

Para o conjunto de 2018, os economistas da Católica estimam um crescimento de 2,1% - abaixo da estimativa dos economistas do ISEG divulgada ontem -, o que representa uma travagem face aos 2,8% que a economia cresceu em 2017. Ainda assim, Portugal manterá uma expansão económica superior à média da Zona Euro que a Católica estima em 1,9% para o ano passado.

A confirmar-se a previsão para Portugal, o Governo falhará a sua meta de 2,3%. O ministro da Economia, Pedro Siza Vieria, já admitiu que o ciclo económico está a mudar, mas considerou ser "cedo" para pedir ao ministro das Finanças, Mário Centeno, para rever em baixa a meta do PIB. Há dois dias, o secretário de Estado das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, garantia que a estimativa era "realista".

Esta travagem espelha a queda da confiança dos agentes económicos. "O menor crescimento de 2018 reflete, acima de tudo, um ano de 2017 acima do crescimento tendencial atual", explicam os economistas da Católica, assinalando que "ao longo do ano passado, e particularmente no segundo semestre, observou-se alguma deterioração do sentimento que se manteve, porém, acima da média histórica". 

Contudo, o NECEP alerta que os indicadores de alta frequência aconselham "prudência e moderação" na leitura do ciclo económico. Para os economistas da Católica, "Portugal parece atravessar uma fase marginalmente superior às demais economias europeias, incluindo Espanha, Alemanha, França e Itália, o que justifica uma estimativa ligeiramente mais favorável relativamente a 0,3% em cadeia para a Zona Euro no quarto trimestre".

 


Católica corta previsão de 2019. Riscos acumulam-se


O efeito de "carry-over" da travagem no final do ano passado vai refletir-se no desempenho da economia este ano. A Católica também reviu em baixa o crescimento de 2,3% para 2%, abaixo dos 2,2% projetados pelo Governo no Orçamento do Estado para 2019 (OE 2019). 

No entanto, para os economistas do NECEP, a travagem do PIB não deverá colocar em causa a trajetória de consolidação das contas públicas nem do mercado de trabalho. A previsão é que a taxa de desemprego baixe para 7% em 2018 e 6,3% em 2019. 

Mas isso não significa que não se acumulem riscos, principalmente vindos do exterior. Com uma economia mais aberta do que nunca, onde o peso das exportações caminha para os 50% do PIB, "é na frente externa que residem grande parte dos riscos", assinala a Católica. 

"Tratam-se de riscos de pendor predominantemente descendente, agora mais centrados nos efeitos sobre a economia europeia da incapacidade em se encontrar uma solução pragmática para o problema do Brexit e também na escalada do protecionismo, embora as promissoras negociações em curso entre os EUA e a China", sintetizam os economistas da Universidade.

 

 

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