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Liderança em tempos de crise: o melhor e o pior na mesma semana

Sexta, Junho 26, 2020 - 11:48
Publicação
Observador

O verdadeiro teste à liderança aparece quando é preciso transmitir "más notícias", especialmente quando se trata de proceder a reestruturações significativas, o que quase sempre implica despedimentos.

Acredito profundamente que, sobretudo em momentos de crise, os líderes devem impor-se a si mesmo refletir sobre a pergunta: “Como quero que a minha liderança nestes tempos de crise seja lembrada?”

O verdadeiro teste à liderança tende a aparecer quando é preciso transmitir “más notícias” – especialmente quando se trata de proceder a reestruturações significativas da organização, o que quase sempre implica despedimentos.

Na semana passada, o mundo corporativo viu dois exemplos do melhor e do pior de Liderança Responsável em tempos de crise.

Num comunicado enviado a todos os 7500 funcionários espalhados pelo mundo, Brian Chesky, CEO e cofundador da Airbnb, explicou porque é que quase 25% dos seus colaboradores teriam de ser despedidos devido à crise do Covid-19. É difícil encontrar um melhor exemplo de transparência e honestidade num exercício tão difícil.

“Vou partilhar o máximo de detalhes possível sobre como cheguei a esta decisão, o que estamos a fazer para quem tem de nos deixar e o que vai acontecer a seguir”, escreveu, detalhando a seguir o processo que os levou a essa difícil decisão, desde a definição de um novo rumo estratégico, até ao plano minucioso de implementação.

Tratou-se, ainda, de um exemplo pouco frequente de inclusão. Normalmente, nestas situações acontecem duas mensagens diferentes: uma enviada para quem sai e outra para quem fica. Ele não o fez: enviou a mesma mensagem a toda a gente, deixando clara a importância de todos, saiam ou fiquem. Isto tem, implicitamente, duas mensagens muito poderosas: quem fica, entende o que pode esperar se alguma coisa correr mal e para aqueles que saem, fazem-no com a sensação de que são importantes, sentindo-se parte da família até ao último minuto (não é a sua competência que está em causa, são condições de mercado, com um efeito muito importante na auto-estima de cada um).

A parte da mensagem sobre o processo de tomada de decisão (“como abordámos as reduções”) é ainda um fantástico exercício de transparência: “Um conjunto claro de princípios e os nossos valores fundamentais de empresa nortearam este processo e a forma como decidimos”. Os princípios orientadores são claramente especificados na carta, desde a futura estratégia empresarial até ao compromisso com a diversidade.

“Eis o que vai acontecer a seguir” é, mais uma vez, exemplar em termos de transparência e dedicação aos seus principais stakeholders: os colaboradores. Detalha não só o processo, mas tudo o que a empresa fará por eles para permitir uma saída o mais “leve” possível (pacote de saída, planos de seguro de saúde, soluções de outplacement). E em termos de comunicação, acrescenta: “Por respeito a todos os nossos companheiros que nos deixam, pedi a todos os líderes da Airbnb que não reunissem com as suas equipas futuras até que se concretize essa saída. E, nesta quinta-feira, às 16h00, estarei disponível por conferência online para explicar a todos os 7500 colaboradores (os que ficam e os que partem) todo o processo e decisões tomadas”. É também particularmente impressionante o compromisso que assumiu de que todos os que saiam tenham uma última conversa one-to-one com executivos seniores da empresa.

Em tempos difíceis, Liderança Responsável no seu melhor.

Agora compare-se isto com o mesmo tipo de medida levada a cabo pela Bird, a empresa americana de bicicletas elétricas e trotinetes. Em 2018, a Bird tornou-se a empresa mais rápida da história a alcançar o estatuto de “unicórnio” e alcançou uma avaliação de 2 mil milhões de dólares em menos de um ano e expandiu para 100 cidades com 10 milhões de scooters.

Os empregados da Bird receberam um convite para estarem presentes num webinar Zoom intitulado “Covid-19 Update“. Uma vez que Travis VanderZanden (um ex-executivo de topo da Uber, que fundou a Bird há apenas três anos) não se tinha ainda dirigido aos mil empregados da Bird desde que haviam sido forçados a deixar os seus escritórios para trabalhar em casa, a maioria assumiu que se trataria de um mero briefing sobre a resposta que a empresa estaria a dar aos desafios criados pela pandemia. E o que aconteceu? A Bird despediu 406 pessoas em dois minutos através do Zoom e os empregados foram bloqueados dos seus e-mails enquanto o webinar decorria. Além disso, os convidados para o Zoom webinar eram exatamente os 406 a serem dispensados, ninguém mais. Para os outros… business as usual.

Brian Chesky e Travis VanderZanden – como acham que serão lembrados?

 

Nuno Moreira da Cruz, Professor da CATÓLICA-LISBON. 

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