O artigo da Harvard Business Review You Should Be Able to Boil Your Strategy Down to a Single Clear Visualization, da autoria de João Cotter Salvado, Professor na CATÓLICA-LISBON, e Freek Vermeulen, Professor na London Business School, foi destacado como um dos 10 artigos mais lidos de 2025 da Harvard Business Review.

De acordo com João Cotter Salvado, “sinto-me profundamente honrado com este reconhecimento internacional. Este artigo reforça o meu compromisso com a investigação de impacto. Nós queremos mostrar que a estratégia não é sobre simplificar, mas sobre transformar ideias complexas em algo simples e exequível”.

O artigo, que analisou 654 apresentações de CEOs sobre aquisições nos Estados Unidos, teve como objetivo identificar os fatores que levam os investidores a responder de forma mais favorável a este tipo de apresentações. Os resultados revelaram que o elemento determinante é a inclusão de uma visualização clara e convincente da intenção estratégica do negócio, sublinhando a crescente importância da clareza, da coerência e do raciocínio visual na tomada de decisão executiva e na comunicação estratégica. Para além de evidenciar a relevância da visualização na comunicação estratégica, o artigo descreve ainda como construir representações visuais eficazes, capazes de gerar alinhamento e adesão tanto entre os colaboradores como entre os investidores.

O artigo mostra que a forma como a estratégia é comunicada pode ser tão importante quanto a decisão estratégica em si. Os autores argumentam que, com base no conceito de sensemaking, a estratégia depende de mapas cognitivos que organizam escolhas, recursos, clientes e relações de causa e efeito. A visualização desses mapas facilita a transição do sensemaking para o sensegiving, ajudando investidores e colaboradores a entender a lógica estratégica e a atuar em conformidade. Nesse contexto, o artigo destaca cinco princípios fundamentais de design que tornam essa visualização estratégica eficaz:

1. Organizar a estratégia em três ou quatro conceitos centrais e interligados que funcionem como base do raciocínio estratégico;

2. Introduzir níveis progressivos de detalhe que permitam conectar as escolhas estratégicas abstratas às suas implicações práticas;

3. Usar cor e sombra de forma contida, apenas para distinguir níveis de informação;

4. Explicar relações causa-efeito através de fluxos visuais que tornem evidente como os diferentes elementos da estratégia se influenciam mutuamente;

5. Privilegiar uma organização horizontal, favorecendo uma leitura mais intuitiva e alinhada à forma como o cérebro humano processa informação visual.

A principal conclusão é que a clareza estratégica não surge da simplificação exagerada, mas da habilidade de tornar a complexidade em algo compreensível e fácil de colocar em prática, gerando impactos quantificáveis tanto na perceção do mercado quanto na implementação da estratégia. Para conhecer melhor este artigo, clique aqui.