Press News & Events

A grandeza de um país está no talento que gera e atrai

Terça, Agosto 31, 2021 - 15:21
Publicação
Jornal de Negócios

Terminei o meu último artigo, publicado a 3 de agosto já em período de férias, com este parágrafo: “E façamos também uma reflexão séria sobre o futuro de Portugal e a visão que o deve nortear, não fazendo desse exercício um programa político-partidário, mas antes um desígnio e compromisso nacional, com envolvimento de agentes privados e públicos.”

Nesta fase em que muitos voltam de férias e se inicia um novo ciclo, acredito que setembro poderá ser um ponto de viragem no combate à pandemia e na reconstrução económica de Portugal e da Europa. Seria, portanto, bom saber qual a visão para Portugal que orientará esse processo. Mas essa reflexão séria não está a ser feita e a perspetiva de ter uma discussão apartidária a menos de um mês das eleições autárquicas é, obviamente, uma ingenuidade.

No entanto, gostaria de oferecer um possível posicionamento para Portugal para enriquecer o debate – Portugal como hub de atração de talento de todo o mundo. E aqui a crença é de que a grandeza futura de um país é proporcional ao talento que conseguir gerar, atrair e reter. E Portugal tem condições privilegiadas para atrair o talento mundial em várias áreas.

Por exemplo, esta semana 540 novos alunos de Mestrado, dos quais 160 portugueses e 380 internacionais vindos de mais de 40 países, iniciam as suas aulas na CATÓLICA-LISBON. Escolheram a Católica e mudaram-se para Lisboa para realizar os seus estudos, quando poderiam ter ido estudar para qualquer outra Escola de gestão de topo na Europa. No conjunto do sistema de ensino superior, serão milhares de alunos internacionais a vir em setembro para Lisboa e Portugal para estudar e viver.

Muitos se afeiçoarão a Portugal e quererão cá ficar a trabalhar e inovar, até pela força do ecossistema de empreendedorismo de Lisboa e de outras regiões do país. Cada vez mais jovens empreendedores estão a escolher Lisboa para fundar ou sediar a sua start-up, alimentando um vibrante ecossistema e atraindo um número crescente de nómadas digitais – jovens que trabalham em áreas ligadas à tecnologia e que conseguem trabalhar remotamente para qualquer empresa do mundo, procurando uma localização base que ofereça segurança, bom clima, qualidade de vida a custo acessível, conectividade, cultura e entretenimento. Portugal tem tudo isso para oferecer a uma nova e talentosa geração europeia.

Ao mesmo tempo, cada vez mais empresas multinacionais olham para Portugal como destino de eleição para colocar os seus centros de competência, implementando estratégias de near-shoring das suas cadeias de valor, tanto nas atividades de suporte (back-office e serviço ao cliente) como também dos seus centros de desenvolvimento avançados, capitalizando e recrutando o talento que é gerado nas Universidades Portuguesas. Portugal tem um sistema universitário de qualidade reconhecida e que, em várias áreas científicas, como a Gestão e as Engenharias, tem reconhecida qualidade internacional.

No caso da Católica, no dia 1 de setembro, 320 novos alunos de Economia e Gestão iniciarão a sua licenciatura na CATÓLICA-LISBON, sendo a primeira Escola de Negócios do país a abrir as suas portas a uma nova geração de universitários portugueses. São os melhores alunos do país, vindos de Escolas públicas e privadas, muitos recebendo bolsas de mérito para financiar os seus estudos. Um número crescente deles é também internacional, começando Portugal a estar no radar dos destinos prioritários para estudos iniciais universitários, podendo aproveitar parte da procura europeia que antes do Brexit era dirigida ao Reino Unido. Este é um mercado com um enorme potencial de crescimento. Daqui a 3 anos estes graduados irão alimentar o pool de competências nacional que permite a criação de emprego qualificado e bem remunerado, potenciando o crescimento das empresas que decidam sediar as suas atividades em Portugal.

Muito se fala também dos reformados europeus que vêm para Portugal morar e gozar a sua reforma, gastando o seu rendimento e aumentando a procura de serviços especializados. Mas a tendência menos visível, mas mais importante é a vinda para Portugal de milhares de “cidadãos do mundo”, indivíduos e famílias com elevado nível educacional e económico e carreiras internacionais, que escolhem residir em Portugal pelos atrativos do país. Com eles trazem elevado rendimento disponível, atividades empresariais e redes de contactos, gerando impactos positivos na economia portuguesa.

Em resumo, Portugal tem uma vantagem competitiva forte a nível mundial em termos de qualidade de vida e segurança face ao custo, que precisa de capitalizar e reforçar de forma consistente e inteligente, com políticas de longo prazo que construam as bases de uma sociedade aberta, acolhedora e inovadora.

Desde logo é necessário uma política forte de promoção da natalidade, complementada por um sistema de ensino inclusivo e exigente, que consiga fazer o país gerar cada vez mais talento, em qualidade e quantidade. E a forma mais eficaz de promover a natalidade é uma política fiscal generosa para famílias com dois ou mais filhos e uma política de promoção de acessos a creches e ensino pré-primário para aliviar os pais das dificuldades logísticas e financeiras de ter mais filhos, dando a todos a oportunidade da educação gratuita em tenra idade.

Depois é necessário manter e reforçar de forma inteligente o sistema de incentivos para o talento internacional se sediar em Portugal por longos períodos. O estatuto de residente não habitual é um excelente programa que deve continuar, bem como a manutenção dos modelos de vistos Gold, em particular aqueles com requisitos que exijam investimento produtivo.

Depois há que cuidar daquilo que nos torna um país atrativo – garantir a segurança dos cidadãos e mantermo-nos nos rankings for 5 países mais seguros do mundo. Promover a restauração e renovação do nosso extraordinário património histórico, arquitetónico e natural, e criar condições para o reforço da oferta turística, cultural e de serviços de qualidade.

O mundo está em mudança acelerada e os padrões de localização, trabalho e vida estão a sofrer uma transformação ainda maior. Portugal está bem posicionado para aproveitar muitas oportunidades de gerar, atrair e reter talento, de forma a inverter a atual trajetória demográfica negativa e alcançar a Grandeza enquanto país pela qualidade de vida que proporciona.

Aliás este tema da Grandeza é algo que nos devia desafiar a todos e cada um. Como podemos ultrapassar as nossas limitações e alcançar a Grandeza? Em termos individuais, nas nossas organizações e no nosso país? Grandeza aqui definida como a capacidade de criar valor e prosperidade à nossa volta. Este é o mote que a CATÓLICA-LISBON irá abraçar neste novo capítulo da nossa história, desafiando os alunos e comunidade a procurarem alcançar a Grandeza – Achieve Greatness.

Filipe Santos,  Dean da CATÓLICA-LISBON

Related Press News

13/10/2021 - 16:06
Expresso
O cenário central de crescimento do PIB no total do ano 2021 é agora de 3,7%, uma revisão em alta. A economia portuguesa deverá estar a operar a cerca de 95,6% do nível do quarto trimestre de 2019, o último sem efeitos da pandemia e dos confinamentos,...
13/10/2021 - 16:00
Jornal Económico
O grupo de estudos económicos da Católica aponta para taxas de crescimento significativamente inferiores às antecipadas pelo Governo no seu cenário macro, apesar de reconhecer bastante volatilidade nas previsões. A economia portuguesa deverá estar a...

Próximos eventos

20
Out
17:30

Católica Lisbon School of Business & Economics

LisboaLisboa1649-023
Portugal
21
Out
17:00

Católica Lisbon School of Business & Economics

Lisboa1649-023
Portugal