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A Economia Digital: mentalidade ou tecnologia?

Sexta, Julho 23, 2021 - 11:13
Publicação
Observador

A fasquia não deve ser “recuperar o atraso”, mas “tomar a liderança''. O efeito sistémico pode multiplicar o crescimento do nosso PIB e já temos vários exemplos “nossos” inspiradores.

O valor do raciocínio exponencial

O consumidor teve necessidade de abraçar o online. Em vários mercados e setores, o crescimento do último ano valeu por mais de uma década. Muitos foram surpreendidos. Para a maioria dos bem-sucedidos na economia digital, o movimento foi óbvio. A maioria das curvas de adoção de tecnologia sempre foram exponenciais. Há muitos exemplos como a evolução da capacidade de processamento e armazenamento de dados, dos computadores pessoais, das pesquisas online, dos smartphones, da conectividade, das redes sociais, dos assistentes virtuais, e das inúmeras aplicações de Inteligência Artificial nas nossas vidas como tradução, mapas, ou motores de recomendação.

As empresas que raciocinam de forma exponencial e que dão resposta às oportunidades tecnológicas e às tendências do consumidor quando ainda se encontram na parte inferior das curvas exponenciais, saem vencedoras. Não uma vez por acaso, mas repetidamente. Exemplos disso são a Google, a Apple, a Microsoft, Amazon, Spotify, AirBnB, Netflix e outras. Ainda assim, a sociedade tende a preferir arquétipos mais clássicos da boa gestão, que articulam estratégia mais previsível, de resultados imediatos, mas óbvios – de raciocínio linear.

Pensar exponencialmente é contraintuitivo, pois implica menor previsibilidade. Além disso, os ciclos orçamentais e o escrutínio dos mercados financeiros empurram-nos para uma gestão de rentabilidade marginal constante de curto prazo (linear). Incutir uma cultura de inovação, com números pequenos que teimam em perdurar face a fasquias muito ambiciosas (em hockey stick), implica margens de erro face às previsões que não confortam analistas… deixando investidores normais nervosos.

Orientação para o cliente com foco nos dados

Somos criaturas de hábitos, e está tudo bem… desde que experimentar seja um desses hábitos. Exige a capacidade de permanente experimentação com vasto portefólio de testes a inúmeras variáveis com micro indicadores. Exige também uma inabalável tolerância à falha, a falhar redondamente, rápido e barato para descobrir produtos vencedores. Isto sem que se associe “falhar” a “incompetência”. Substituir “acertar ou errar” por “aprender e iterar”. Não está ao alcance de todos.

A olho nu, dinâmicas de agilidade à prova de silos são caóticas e pouco controláveis… conseguidas com talento e diversidade de perfis fora do comum. Há que ampliar a combinação de ângulos para atacar e resolver problemas pouco óbvios e de alta complexidade. Isto é mais fácil de conseguir em startups do que em organizações normais e muito difícil de manter. Desde logo, porque exige um perfil de investidor mais próximo de venture capitalist – que vive melhor com o risco e prazo das progressões exponenciais, e um tipo de líder mais colaborativo e humilde, cujas principais competências são a eterna capacidade de aprendizagem e a inspiração dos outros.

Em organizações centradas no cliente e focadas nos dados, a transparência é uma decorrência natural, não importa a etnia, a nacionalidade, género, religião ou orientação sexual, porque os resultados de tudo estão sempre à vista de todos e o mérito é a moeda forte. Os resultados são medidos de forma automática e acessíveis por todos. A correlação entre a experiência do cliente e a margem é direta. As ideias vencem porque passam nas baterias de testes e a sua contribuição é tangível. Um “mundo” melhor, mais justo e mais eficaz.

A tecnologia as a service “Armou os Rebeldes”

Vivemos a quarta revolução industrial, uma combinação única de evolução exponencial de tecnologia em várias frentes, da Inteligência artificial, a robótica, biotecnologia, 3D printing, realidade virtual, etc. Ao mesmo tempo vivemos a democratização de elementos-chave da tecnologia. As 3 principais clouds: Azure, Amazon e Google oferecem (as a service) infraestrutura com capacidade de processamento, armazenamento, disponibilidade e escalabilidade ilimitada. Oferecem também (as a service) Inteligência Artificial (AI). Qualquer empresa tem acesso a tecnologia de ponta e pode construir os seus próprios algoritmos para lançar, otimizar e escalar o seu negócio, isto com meras centenas de euros mensais. É agora possível disromper setores inteiros usando módulos pré-concebidos de AI aplicada a dados, voz ou imagem a custo ínfimo.

Como se isto não bastasse, as plataformas (as a service) de eCommerce como Shopify, CRM como Salesforce ou Hubspot, call centres como a “nossa” Talkdesk, ou de desenvolvimento de aplicações como a “nossa” Outsystems, possibilitam a transformação radical de organizações inteiras. Mas também a proliferação das startups que estão a construir o novo mundo, como as “nossas” Farfetch ou Feedzai. A própria curva de surgimento de unicórnios (startups que valem $1Bn) é exponencial. Nunca houve tantos unicórnios por mês a nível mundial. Muitas destas startups estavam ávidas de colaboração com empresas incumbentes, mas não tiveram outra opção senão a disrupção de setores inteiros para vencer. Começaram do zero e tomaram a liderança. Algumas foram muito bem aproveitadas por incumbentes para aprender, inovar e crescer (ex: Deepmind / Google)

Vamos lá Portugal

Há muito ainda por fazer no online para responder às exigências crescentes dos novos consumidores mais dispostos do que nunca a comprar online com mais frequência, maior gasto médio e um maior leque de categorias de produtos e serviços. Em tecnologia, estar atrás é uma ótima oportunidade para tomar a liderança. Há menos barreiras ao descarte de sistemas antigos para adotar a última geração de cada tecnologia. Por isso a fasquia não deve ser “recuperar o atraso”, mas “tomar a liderança”. Tudo depende da mentalidade dos líderes e dos investidores. O efeito sistémico pode multiplicar o crescimento do nosso PIB e já temos vários exemplos “nossos” inspiradores. Vamos lá Portugal…!

Luís Monteiro, Docente na CATÓLICA LISBON

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