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No cenário otimista, PIB encolhe 4% e desemprego sobe para os 8,5% em 2020, prevê Católica

Segunda, Março 23, 2020 - 21:17
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ECO

A previsão central dos economistas da Católica é que a economia encolha 10%, mas no cenário otimista a contração poderá ser de 4%. No cenário pessimista poderá chegar aos 20%.

Éinevitável: a economia portuguesa vai entrar em recessão em 2020, só não se sabe de quanto será a queda. A contração poderá variar entre 4% (cenário otimista) a 20% (cenário pessimista), sendo que o cenário central prevê que o PIB encolha 10%. As previsões são do NECEP – Católica Lisbon Forecasting Lab e foram divulgadas esta segunda-feira na folha trimestral de conjuntura relativa ao primeiro trimestre deste ano.

“A pandemia da doença Covid-19 criou uma disrupção generalizada na economia mundial”, assumem os economistas da Universidade Católica, admitindo que o cenário “mais plausível” é um “colapso abrupto das economias desenvolvidas”, apesar de continuar a haver uma “elevada incerteza sobre a dimensão e a duração da contração”. “É que se está perante uma crise de características ímpares, marcada por um duplo choque do lado da oferta e do lado da procura”, explica o NECEP.

Dito isto, o núcleo decidiu divulgar a sua nova estimativa de crescimento económico para Portugal em 2020 ao longo de três cenários:

1. Um cenário central em que a fase crítica da epidemia dura cerca de três meses: PIB encolhe 10% e a taxa de desemprego sobe para os 10,4%;

2. Um cenário pessimista em que o controlo da epidemia se prolonga por seis meses: PIB encolhe 20% e a taxa de desemprego sobe para os 13,5%;

3. Um cenário otimista em que essa fase crítica não se prolonga muito para além de abril: PIB encolhe 4% e a taxa de desemprego sobe para os 8,5%.

“Este último cenário toma, ainda, em consideração medidas adicionais e mais incisivas para além daquelas já anunciadas pelo Governo”, explicam os economistas, assinalando, no entanto, que qualquer destes cenários “corresponderá a um agravamento significativo do desemprego e em termos de perda do rendimento das famílias”.

O Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa antecipa que “as autoridades estatísticas terão dificuldades em calcular o crescimento económico do primeiro e segundo trimestres do ano“. Assim, dado que apenas março será afetado significativamente, os economistas da Católica admitem que os dados do primeiro trimestre — que serão divulgados em maio — “podem vir a transmitir, ainda, uma ideia de normalidade ou de uma quebra relativamente pequena face aos desenvolvimentos dramáticos dos últimos dias”.

O impacto económico deverá ser transversal a todos os setores, existindo apenas “alguma proteção de emprego e rendimento” no Estado, “as franjas da sociedade delas dependentes e os setores considerados estratégicos no abastecimento de bens e serviços essenciais e a sua logística”, como é o caso do retalho alimentar que tem verificado um aumento da procura nas últimas semanas.

Contudo, “mesmo esses setores estão sujeitos a um risco de contração de atividade já que parte da procura produzida pode vir a não ser vendida nem paga por dificuldades de tesouraria por parte dos seus clientes diretos“, avisa o NECEP.


Economistas pedem ação à Alemanha

“Neste contexto, as decisões governamentais e dos bancos centrais influenciarão significativamente a atividade económica no curto prazo“, considera os economistas da Católica, liderados por João Borges de Assunção, assinalando que tanto o Governo português como o Banco Central Europeu já tomaram algumas medidas.

Para o NECEP, da Católica, “o Governo português tem a obrigação de compreender a necessidade de adotar medidas substantivas, estruturantes e credíveis que acalmem os agentes económicos e assegurem a necessária liquidez, sob pena de se deixar ultrapassar pelos acontecimentos históricos em curso”.

Porém, na situação atual, “o papel de liderança da Alemanha na União Europeia é agora mais necessário do que nunca“, consideram. Neste momento cresce a pressão para que sejam emitidas “coronabonds”, isto é, a emissão de títulos de dívida comunitários especificamente para ajudar os países europeus a ultrapassar esta crise.

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