Luísa Motta
Alumna de Administração e Gestão de Empresas
Estudei Administração e Gestão de Empresas na CATÓLICA-LISBON e terminei o curso em 2011.
Uma breve introdução sobre a sua carreira inicial ou percurso antes do “Lado C”
Em adolescente não tinha uma vocação clara, não sonhava em ser gestora. Escolhi Administração e Gestão de Empresas porque era uma área abrangente e que me abriria caminhos. Se era para fazer, teria de ser como deve ser, na melhor universidade. Na Católica encontrei muito mais do que um curso: fiz amigos para a vida e senti que, para além do rigor académico, havia espaço para a dimensão humana. O meu primeiro contacto profissional foi num estágio de Verão na Renova (pelo GIP!), onde despertei para o mundo empresarial. Na Danone, esse interesse aprofundou-se e nasceu a paixão pelo marketing e pelas marcas, que continuei a explorar depois na Numico (Milupa) e na Central de Cervejas (Heineken Group).
O que a levou a seguir um caminho diferente
Depois de vários anos a trabalhar em marketing de grandes FMCG, comecei a sentir que algo estava a mudar. O digital em FMCG era ainda muito limitado. Como não é um setor de venda direta ao consumidor (D2C), o digital tinha limitações óbvias e não se exploravam canais de performance, como paid media ou SEM. Eu sentia que o mundo estava a mudar e não queria ficar para trás. Percebi que precisava de me atualizar e mergulhei em formação na área digital, cheguei mesmo a trabalhar nessa área para ganhar experiência.
Foi nesse contexto que, um dia, vi um anúncio da UNICEF. A descrição da função prendeu-me de imediato a atenção: tinha algumas semelhanças ao que já fazia em marketing, mas mais omnichannel e com uma vertente comercial clara e, sobretudo, com impacto direto na vida das pessoas. Sempre tive um sentido de justiça apurado e uma tendência para defender os mais vulneráveis. A ideia de aplicar a minha experiência profissional numa organização que trabalha para salvar vidas foi simplesmente irresistível.
Candidatei-me, enfrentei um processo de seleção longo e exigente e, para minha surpresa, fui escolhida. Entrei com síndrome do impostor. Afinal, nunca tinha trabalhado em angariação de fundos. Rapidamente percebi que o contexto era muito diferente das multinacionais: menos recursos, menos processos estabelecidos e uma enorme necessidade de criar estrutura e visão de crescimento. Tinha uma folha em branco para desenhar.
No início não foi fácil. Mas se há característica que sinto fazer parte do meu ADN é a resiliência. Estudei, analisei e apliquei tudo o que já sabia, ajustando à nova realidade. Comecei a ver a transformação a acontecer: projetos a ganhar vida, campanhas a gerar impacto, resultados que não são apenas números mas vidas mudadas.
O seu “Lado C” Hoje
Atualmente sou responsável pela área de Angariação de Fundos e Parcerias da UNICEF Portugal. Em termos simples, faço campanhas para que as pessoas apoiem o trabalho da UNICEF em todo o mundo. Pode parecer abstrato, mas não é: milhões de crianças dependem destes donativos para sobreviver. E isso só é possível graças à generosidade dos doadores.
Fundraising é, no fundo, marketing social. Mostra que as causas também precisam de ser promovidas com estratégia, criatividade e foco em resultados. Não é diferente de vender um produto: é preciso conquistar corações e mentes, transformar intenção em ação e mostrar, com transparência, o impacto de cada contributo. A grande diferença está no propósito: o “produto” que promovemos é a possibilidade de mudar vidas, de dar a uma criança acesso a vacinas, água potável ou educação.
A CATÓLICA-LISBON deu-me as fundações da casa que fui construindo. Fundações sólidas que tornam possível tudo o que hoje é visível no meu percurso. Lembro-me particularmente do professor João César das Neves, que conseguiu transformar as aulas de Introdução à Economia em algo fascinante. A frase “não há almoços grátis” ficou-me para sempre. Para conquistar resultados é preciso empenho, persistência e muito trabalho. Essa resiliência é algo que sinto fazer parte do meu ADN.
O impacto que vejo no meu trabalho é profundamente motivador. Não falo apenas de métricas ou relatórios, embora sejam fundamentais para avaliar e melhorar. O verdadeiro impacto mede-se nas vidas transformadas. Saber que uma campanha em Portugal pode traduzir-se em crianças vacinadas, escolas reconstruídas ou famílias com acesso a água potável é o que dá sentido a cada esforço. Trabalhar em fundraising é isso: usar o melhor do marketing para servir quem mais precisa.
Reflexão final
Se tivesse de escolher uma palavra para descrever o meu percurso, seria resiliência. É essa capacidade de persistir e de me adaptar que tem marcado o meu caminho. Mas se a resiliência me ajudou a enfrentar os desafios, o humor deu-me leveza. Sempre senti que a vida se torna mais fácil quando conseguimos rir juntos, encontrar espaço para a boa disposição e partilhar esse espírito com quem nos acompanha. A CATÓLICA-LISBON deu-me as fundações certas e esses valores acompanham-me até hoje, ajudando-me a manter o foco no essencial: gerar impacto real na vida das pessoas.