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"A sustentabilidade não pode estar apenas num departamento dentro da empresa", Entrevista a Filipe Santos, Dean da CATÓLICA-LISBON

Wednesday, November 17, 2021 - 11:24
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Lider

A Católica Lisbon School of Business & Economics em parceria com o BPI e a Fundação “La Caixa” lançou o Observatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas com o intuito de acompanhar as 50 maiores empresas portuguesas, com destaque para as empresas cotadas em bolsa, bem como uma amostra de Pequenas e Médias Empresas (PME). Clarificar quais as principais dificuldades sentidas no caminho para a Agenda 2030 “é o que vamos tentar compreender com o primeiro ano de trabalhos do Observatório”, revela Filipe Santos, Professor de Empreendedorismo Social e Diretor da Católica-Lisbon. Em entrevista à Líder, afirma que “falta integrar a sustentabilidade em todas as funções empresariais desde a inovação aos serviços pós-venda” e lança o alerta sobre a necessidade de uma ação conjunta de todos, governo, empresas e sociedade civil, no caminho da transformação social.

 

A Agenda 2030, constituída por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ficou definida em 2015. Que perceção tem sobre o caminho que desde então foi percorrido em Portugal?

O início do caminho para a agenda do desenvolvimento sustentável foi lento e houve um desconhecimento inicial grande em Portugal sobre a Agenda 2030. No entanto, a situação começou a mudar a partir de 2017-2018 com um aumento da preocupação por este tema por parte da sociedade, incluindo as empresas e o setor público, em muito motivado pelas questões das alterações climáticas.

O Observatório para os ODS nas empresas portuguesas que a Católica-Lisbon está a lançar, visa exatamente avaliar o progresso feito pelas empresas em alinhar as suas estratégias e operações com os ODS.

Como estão a ser executados a monitorização e o acompanhamento das PME, em ordem à implementação dos ODS?

Penso que com exceção do segmento de nicho das PME que abraçaram o tema do impacto social, em grande parte motivadas pelos programas de financiamento e divulgação da iniciativa pública Portugal Inovação Social, a implementação dos ODS é um tema ainda relativamente desconhecido. No entanto, temos empresas que se destacam e o Observatório dos ODS tentará obter evidências sobre o setor mas também identificar casos exemplares de adoção dos ODS junto das PME portuguesas que mereçam replicação.

Quais os parâmetros de análise para monitorizar os ODS nas organizações portuguesas?

Esta resposta estará presente na metodologia do Report Inicial do Observatório dos ODS que se encontra em desenvolvimento, pelo que é cedo para o revelar.

Que meios são necessários para um efetivo compromisso, para que esta seja verdadeiramente uma década de ação?

É necessária uma mudança de mindset empresarial, mas também governamental e da sociedade civil. É necessária uma ação conjunta de todos os intervenientes na transformação social para que se possa realizar com o maior sucesso possível a década de ação centrada nos objetivos estratégicos dos ODS. Do lado das empresas é necessária um atuação mais proactiva que seja capaz de alinhar o seu core business (que é o que fazem e fazem bem feito) com as necessidades mais prementes da sociedade, que devem ser vistas como oportunidades de negócio futuro.

O Observatório dos ODS será também responsável pela realização de um fórum de debate e divulgação da Agenda 2030. Em que moldes está previsto esse evento?

Pretendemos produzir um relatório, publicação e debate anual sobre o tema dos ODS e sua implementação nas estratégias empresariais. Pretendemos, ainda, estudar e promover as boas práticas empresariais na adoção dos ODS, para que estas sejam replicadas, melhoradas e sirvam de alavanca para uma contribuição positiva do setor privado e uma sociedade mais próspera e resiliente. Este observatório pretende traçar um status quo da implementação dos ODS nas empresas, de forma a sugerir propostas de melhorias futuras e a implementação dos ODS pelas empresas em Portugal

A sustentabilidade abarca a prosperidade económica, a responsabilidade ambiental e a inclusão social. O que está ainda por fazer, sobretudo, no campo social, para que ninguém fique para trás?

Falta essencialmente integrar a sustentabilidade (no seu sentido holístico) em todas as funções empresariais desde a inovação aos serviços pós-venda. A sustentabilidade não pode estar centrada apenas num departamento dentro da empresa, seja o marketing, as finanças ou o departamento de responsabilidade social. Os ODS são uma ferramenta que ajuda as empresas a perceber onde melhor podem contribuir para a sustentabilidade holística necessária à sociedade, vendo de forma integrada a contribuição social, ambiental e económica, que nunca se podem dissociar. Além do mais, é uma linguagem comum e universal que abre as portas das empresas a parcerias multistakeholders e multisetoriais, sem as quais não é possível alcançar a prosperidade social.

A inovação e o empreendedorismo social são áreas que lhe são especialmente caras no seu percurso profissional. Que pensamento comum é fulcral para que os empreendedores maximizem, positivamente, o impacto económico, ambiental e social nas empresas?

Os empreendedores sociais são exímios a identificar problemas negligenciados mas relevantes da sociedade e, através do seu envolvimento no terreno, a encontrar as causas profundas desses problemas e desenhar soluções inovadoras que os resolvem. Nessas soluções é fulcral o tema do empoderamento, em que se olha para o potencial de cada pessoa e parceiros, e se desenvolve um processo de co-construção da solução. O empreendedor social não tem inimigos a não ser o problema a resolver e consegue alinhar vontades e recursos de diferentes parceiros em torno de um propósito comum.

Atualmente, Portugal dá cartas na Europa na área da Inovação Social, tendo a política pública mais robusta, através da Portugal Inovação Social que já financiou perto de 500 projetos desde 2016. Portugal conseguiu desenvolver um ecossistema de impacto vibrante com centenas de projetos e inovações sociais. Como validação deste ponto, apesar da sua pequena dimensão, é o país com mais projetos finalistas do concurso Social Innovation Tournament organizado anualmente pelo Banco Europeu de Investimento para celebrar os 15 projetos de inovação social com mais potencial na Europa.

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